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um amigo de fim de tarde

Aqui se celebrava o ritual de fim de tarde : amigos, uma bebida e muita conversa... suspenso o ritual, suspenso o blog... e nasceram as "Crónicas do Chão Salgado", que por aí andam

um amigo de fim de tarde

Aqui se celebrava o ritual de fim de tarde : amigos, uma bebida e muita conversa... suspenso o ritual, suspenso o blog... e nasceram as "Crónicas do Chão Salgado", que por aí andam

a tristeza que paira no ar

30.11.20

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A tristeza paira no ar.
A cada passo que dou está lá, visível e envolvente como o nevoeiro numa manhã de Sintra.
 
Senti a tristeza quando entrei na Ferin, quase deserta, e senti a solidão dos livros na falta de os folhearem.
 
Senti-a quando fui aquele restaurante quase deserto onde, há um ano atrás, tinha que reservar lugar.
 
Estava também na sala de teatro onde eram mais as cadeiras proibidas que os lugares vagos para nos sentarmos.
 
E ali, nas pinceladas da tela, as que se notam tão bem quando nos aproximamos.
 
Faço com o prazer de sempre o que gosto e me aquece o coração.
 
(Na verdade, estou mais segura num restaurante, numa livraria ou num espetáculo que no meu local de trabalho.)
 
Vou com prazer, mas sinto a dor no ar. A dor das pessoas que lutam por sobreviver, que estrebucham entre os tentáculos do medo que saiu e, como um polvo, mata.
 
Mata a alma.
E a cultura é segura.
 
 

à beira de um ataque de nervos

05.11.20

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E a minha paciência com género humano atinge a cota do nível das águas do mar...
 
Não é de agora, mas está pior.
Este confinamento levou a minha saturação ao extremo. Preciso sair, preciso viajar, preciso respirar! E não vai acontecer tão cedo...
 
Deixei de ver telejornais em 2014 e redes sociais algum tempo depois, Na verdade, o meu grupo de relações diminuiu, ao invés de se reforçar - há coisas que preferia não ter sabido sobre eles! 
 
Mas agora, tudo o que se passa à minha volta me irrita.
Pessoas sem máscara, museus fechados e estádios abertos, erros de português, xenófobos, laços cor-de-rosa, trabalho sem condições de segurança, ciclistas que correm a marginal a passar os sinais vermelhos...
 
Ainda por cima, sem sol para ativar as endorfinas. Os deuses me ajudem, porque Valium não é a minha praia!
 
Bem, já desabafei. 
Afinal, o motivo pelo qual criei um blog foi profundamente egoísta: terapia!
 
 
 

freguesa de bibliotecas

29.10.20

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Sou sócia de bibliotecas desde que sei ler. E continuo a ser. 

As bibliotecas são um excelente recurso. Permitem ler livros que não teremos que adquirir, o que além da poupança significa também não ter outro livro para a estante.

Mas o melhor é dar-nos a conhecer autores em que talvez não investíssemos numa livraria... e quantas paixões não descobri assim.

Já me aconteceu também comprar um livro depois de o ter requisitado na biblioteca... porque descobri que não posso viver sem ele! 

o vento nos salgueiros

28.10.20

"O Vento nos Salgueiros" é uma história duma doçura que não cabe nos limites da idade.

Há muitos anos, tive a versão em inglês, mas extraviou-se algures no tempo. Ficou sempre uma dorzinha cá dentro. 

Revi a história anos mais tarde, em animação, já com filhos por perto. Com a mesma sensação de entrar numa realidade que está logo ali, na floresta mais próxima.

E por estes dias, fiquei com os olhos marejados quando peguei nesta tradução, lindíssima e com as ilustrações originais. 

Há mundos que ficam para sempre com lugar cativo no nosso universo...

 

 

a hora mágica no Porto

25.10.20

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Quem fotografa, tem as suas pequenas paixões no meio da paixão maior que é a fotografia.
 
E aproxima-se a altura de uma das minhas manias:
quando entramos pelo Outono dentro, Inverno, até Janeiro, é altura de rumarmos ao Porto.
 
Não vou às tripas, não vou às francesinhas... vou atrás da hora mágica ali pela rua de Santa Catarina.
 
É verdade, nesta altura, ao final da tarde, a luz nesta zona é qualquer coisa de maravilhoso,
o suficiente para cá em casa irmos em peregrinação, com um fervor religioso, atrás dela...
 
Deixo duas fotos sem edição, puras como a beleza da hora e do lugar.
 
 

dor e pudor

25.10.20

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A 11 de Setembro de 1891, neste banco, suicida-se Antero de Quental, com o tiro de um revólver que comprara pela manhã.
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Encima o banco a palavra “Esperança”, alusiva ao convento da dita, situado no local.
Esperança não era coisa para Antero, naquele dia. Há muito tempo.
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A Antero, não há qualquer referência neste local, no Campo de São Francisco, em Ponta Delgada.
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A dor incomoda. Tanto, que muitas vezes os que a exibem são olhados como se de uma falta de pudor se tratasse.
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Tanto tempo depois, o que terá mudado na forma como vemos a dor do outro.
Aquela dor mesmo ao pé de nós, que nos deixa sem palavras e sem saber o que fazer, num incómodo constrangedor.
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E quem sofre, fá-lo em silêncio.
Melhor não incomodar...

“Quartel em Abrantes?”

24.10.20

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Ainda não chegámos a Novembro e parece que passou um século desde Setembro.
 
Alunos em casa com aulas síncronas, alunos na escola com aulas presenciais.
 
Correntes de ar pelas janelas e portas abertas e a consequente tosse que já me levou a fazer dois (meus Deuses), dois testes Covid! Com febre, eu que nunca tenho febre! A última vez tinha sido em 2017 e com uma septicemia!
 
No meio disto, o computador desistiu. Felizmente sou mais cumpridora que ele...
 
Hoje, deito-me a pensar em tudo o que continuamos a fazer para continuar.
Uns, fazendo malabarismos para trabalhar num ambiente de loucura e imprevistos.
Outros, em muito pior situação, por não terem como trabalhar.
 
Olho à volta e não vejo nenhuma das mudanças que os mais otimistas da pandemia aventavam: nem no trato uns com os outros nem com o planeta.
“Quartel em Abrantes? Tudo como dantes!”
 
É isto o que mais dói. A falta de capacidade de aprender com a vida.
Queixo-me eu que muitos não aprendem com a História. Pois se não aprendem com o mês de Março, quanto mais com 1939-45.
 
E por esta madrugada, chega de desabafos...

do fotografar

18.10.20

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Receavam certos povos que a fotografia lhes roubasse a alma.

Mas para alguns dos que andam de máquina na mão, é a sua alma que por vezes vêem roubada numa fotografia que fazem.

Por vezes, não guardam as emoções dos outros, mas fazem das imagens que criam o estandarte das suas próprias emoções.

Inadvertidamente. Sem o procurar, por vezes os retratados somos nós, os do lado de cá. 

Por isso, muitas vezes a fotografia revela mais sobre quem disparou do que quem foi fotografado. 
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Modelo, Diana Rosa.

das PANCs

18.10.20
As PANCs, "plantas alimentícias não convencionais"  ganham cada vez mais terreno.
Se a alimentação se foi uniformizando pela bitola do que estava disponível nos mercados, já há muitos anos que começou a revolução. 
Antes da moda do showliving e slowfood, já os movimentos de transição e permacultura (entre outros) apelavam a uma nova alimentação. Uma alimentação em que não comemos plantas nascidas das sementes da Monsanto, mas sim das outras, que se trocam em rede e se acarinham para que não morram. Há uma rede em Portugal para este banco de sementes, também.
As PANCs são aquelas plantas que não encontramos aí pelos mercados, e que até podem envolver umas passeatas entre o mato para as encontrarmos. Algumas já chegaram ao supermercado, como as beldroegas.
Sempre comi das ervas do campo (gostos que a minha mãe me passou) e estou sempre pronta a experimentar outras novas.
Algumas, como as “alcaparras dos pobres”, de que já uma vez deixei a receita, são excelentes, bem melhores que as alcaparras “a sério”! São apenas sementes de capuchinha preparadas em conserva. 
Para quem gosta destas coisas de comer o que a natureza nos dá, e passear pelo campo de cesto e tesoura na mão, é um mundo maravilhoso! Se gostarem de apps, também as há para indicar, através da foto, se a planta é comestível e até em que região do mundo se come.
Bom proveito e muito divertimento!

 

...

17.10.20

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As humanidades, as artes, a História têm sido gradualmente desprezadas como conhecimento fundamental de uma sociedade, em prol de áreas técnicas e científicas. Com repercussões visíveis. 
Um modelo americano que se tem vindo a instalar de mansinho, começando pela educação.
 
É do interesse de quem está no comando das coisas do mundo criar uma sociedade de “fazedores”, desinteressados das coisas do passado e, sobretudo, das que poderiam levar à reflexão.
 
Olhamos e vimos que na França, a China, em nome da sua própria política de limpeza étnica, censura uma exposição sobre Genghis Khan, e esta é suspensa. Como é possível!!!
 
Em Portugal, há quem ache normal, aceitável, a obrigatoriedade da instalação de uma app por questões de saúde pública. A questão não é se isso é ou não exequível, mas se é legítimo este controlo. Ou é um precedente perigoso. Como suspender exposições para ceder a pressões da China. 
 
É bom recordar as insinuações com que se iniciaram os regimes totalitários. 
À esquerda ou à direita.
Tudo em prol do bem-estar.
 
edit: e o André Ventura está em segundo nas intenções de voto para PR.
E no meio desta vergonha imensa, continua este dia. 
 
 
 
 
 
 
 

interregno

16.10.20

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Entre os tempos que correm por nós e junto a nós, há o nosso próprio tempo.

Tempo de alegria ou melancolia,  de estar com o outro ou de recolhimento.

E todos temos diferentes sinais para cada um dos tempos.

Quando as manhãs acordam frias, e húmidas, quando a sereia do farol avisa do nevoeiro, é o meu sinal para pausar a energia e olhar para dentro.

Um tempo em que a natureza descansa e o corpo pausa. 
Em comunhão. 

 

 

 

 

novos prazeres na cidade

11.10.20

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Lisboa. Tejo ao fundo. 
Eu e o meu livro, os únicos a gozar aqui esta manhã de Outono.

 

Nestes tempos, os prazeres que nos ajudavam a seguir foram substituídos por outros, também antes inimagináveis mas igualmente preciosos. 
 
E por isso aqui estou eu.
A Torre de Belém à esquerda, o Forte do Bom Sucesso no lado oposto. 
Silêncio, ar sereno e uma leitura que se prolongou sem percalços.
 
São os novos prazeres que nos oferecem as cidades.
E eu vou aproveitar Lisboa!
 

 

louca por sextas-feiras!

09.10.20

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É sexta-feira!
O meu dia preferido. 
Sexta-feira é o melhor dia da semana. 
Não porque posso dormir, pôr o trabalho em dia, arrumar o roupeiro, cozinhar coisas estranhas e demoradas, ler um livro de fio a pavio, ver um filme ou ir fotografar...  
 
É o melhor dia porque acredito que tudo isto pode acontecer nos dois dias que se seguem.
É o melhor dia pelas possibilidades, muito melhores que as realidades.
Porque sonhar é bom e fazer planos ainda é melhor.
 
Domingo ao cair da noite, muito pouco ou nada disto terá acontecido, mas que importa... para a semana há mais!