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um amigo de fim de tarde

...a esta altura, o que aqui se vê são notas de enfado de uma senhora à beira de um ataque de nervos.

um amigo de fim de tarde

...a esta altura, o que aqui se vê são notas de enfado de uma senhora à beira de um ataque de nervos.

a hora mágica no Porto

Sassão, 25.10.20

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Quem fotografa, tem as suas pequenas paixões no meio da paixão maior que é a fotografia.
 
E aproxima-se a altura de uma das minhas manias:
quando entramos pelo Outono dentro, Inverno, até Janeiro, é altura de rumarmos ao Porto.
 
Não vou às tripas, não vou às francesinhas... vou atrás da hora mágica ali pela rua de Santa Catarina.
 
É verdade, nesta altura, ao final da tarde, a luz nesta zona é qualquer coisa de maravilhoso,
o suficiente para cá em casa irmos em peregrinação, com um fervor religioso, atrás dela...
 
Deixo duas fotos sem edição, puras como a beleza da hora e do lugar.
 
 

dor e pudor

Sassão, 25.10.20

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A 11 de Setembro de 1891, neste banco, suicida-se Antero de Quental, com o tiro de um revólver que comprara pela manhã.
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Encima o banco a palavra “Esperança”, alusiva ao convento da dita, situado no local.
Esperança não era coisa para Antero, naquele dia. Há muito tempo.
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A Antero, não há qualquer referência neste local, no Campo de São Francisco, em Ponta Delgada.
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A dor incomoda. Tanto, que muitas vezes os que a exibem são olhados como se de uma falta de pudor se tratasse.
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Tanto tempo depois, o que terá mudado na forma como vemos a dor do outro.
Aquela dor mesmo ao pé de nós, que nos deixa sem palavras e sem saber o que fazer, num incómodo constrangedor.
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E quem sofre, fá-lo em silêncio.
Melhor não incomodar...

“Quartel em Abrantes?”

Sassão, 24.10.20

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Ainda não chegámos a Novembro e parece que passou um século desde Setembro.
 
Alunos em casa com aulas síncronas, alunos na escola com aulas presenciais.
 
Correntes de ar pelas janelas e portas abertas e a consequente tosse que já me levou a fazer dois (meus Deuses), dois testes Covid! Com febre, eu que nunca tenho febre! A última vez tinha sido em 2017 e com uma septicemia!
 
No meio disto, o computador desistiu. Felizmente sou mais cumpridora que ele...
 
Hoje, deito-me a pensar em tudo o que continuamos a fazer para continuar.
Uns, fazendo malabarismos para trabalhar num ambiente de loucura e imprevistos.
Outros, em muito pior situação, por não terem como trabalhar.
 
Olho à volta e não vejo nenhuma das mudanças que os mais otimistas da pandemia aventavam: nem no trato uns com os outros nem com o planeta.
“Quartel em Abrantes? Tudo como dantes!”
 
É isto o que mais dói. A falta de capacidade de aprender com a vida.
Queixo-me eu que muitos não aprendem com a História. Pois se não aprendem com o mês de Março, quanto mais com 1939-45.
 
E por esta madrugada, chega de desabafos...

do fotografar

Sassão, 18.10.20

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Receavam certos povos que a fotografia lhes roubasse a alma.

Mas para alguns dos que andam de máquina na mão, é a sua alma que por vezes vêem roubada numa fotografia que fazem.

Por vezes, não guardam as emoções dos outros, mas fazem das imagens que criam o estandarte das suas próprias emoções.

Inadvertidamente. Sem o procurar, por vezes os retratados somos nós, os do lado de cá. 

Por isso, muitas vezes a fotografia revela mais sobre quem disparou do que quem foi fotografado. 
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Modelo, Diana Rosa.

das PANCs

Sassão, 18.10.20
As PANCs, "plantas alimentícias não convencionais"  ganham cada vez mais terreno.
Se a alimentação se foi uniformizando pela bitola do que estava disponível nos mercados, já há muitos anos que começou a revolução. 
Antes da moda do showliving e slowfood, já os movimentos de transição e permacultura (entre outros) apelavam a uma nova alimentação. Uma alimentação em que não comemos plantas nascidas das sementes da Monsanto, mas sim das outras, que se trocam em rede e se acarinham para que não morram. Há uma rede em Portugal para este banco de sementes, também.
As PANCs são aquelas plantas que não encontramos aí pelos mercados, e que até podem envolver umas passeatas entre o mato para as encontrarmos. Algumas já chegaram ao supermercado, como as beldroegas.
Sempre comi das ervas do campo (gostos que a minha mãe me passou) e estou sempre pronta a experimentar outras novas.
Algumas, como as “alcaparras dos pobres”, de que já uma vez deixei a receita, são excelentes, bem melhores que as alcaparras “a sério”! São apenas sementes de capuchinha preparadas em conserva. 
Para quem gosta destas coisas de comer o que a natureza nos dá, e passear pelo campo de cesto e tesoura na mão, é um mundo maravilhoso! Se gostarem de apps, também as há para indicar, através da foto, se a planta é comestível e até em que região do mundo se come.
Bom proveito e muito divertimento!

 

...

Sassão, 17.10.20

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As humanidades, as artes, a História têm sido gradualmente desprezadas como conhecimento fundamental de uma sociedade, em prol de áreas técnicas e científicas. Com repercussões visíveis. 
Um modelo americano que se tem vindo a instalar de mansinho, começando pela educação.
 
É do interesse de quem está no comando das coisas do mundo criar uma sociedade de “fazedores”, desinteressados das coisas do passado e, sobretudo, das que poderiam levar à reflexão.
 
Olhamos e vimos que na França, a China, em nome da sua própria política de limpeza étnica, censura uma exposição sobre Genghis Khan, e esta é suspensa. Como é possível!!!
 
Em Portugal, há quem ache normal, aceitável, a obrigatoriedade da instalação de uma app por questões de saúde pública. A questão não é se isso é ou não exequível, mas se é legítimo este controlo. Ou é um precedente perigoso. Como suspender exposições para ceder a pressões da China. 
 
É bom recordar as insinuações com que se iniciaram os regimes totalitários. 
À esquerda ou à direita.
Tudo em prol do bem-estar.
 
edit: e o André Ventura está em segundo nas intenções de voto para PR.
E no meio desta vergonha imensa, continua este dia. 
 
 
 
 
 
 
 

interregno

Sassão, 16.10.20

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Entre os tempos que correm por nós e junto a nós, há o nosso próprio tempo.

Tempo de alegria ou melancolia,  de estar com o outro ou de recolhimento.

E todos temos diferentes sinais para cada um dos tempos.

Quando as manhãs acordam frias, e húmidas, quando a sereia do farol avisa do nevoeiro, é o meu sinal para pausar a energia e olhar para dentro.

Um tempo em que a natureza descansa e o corpo pausa. 
Em comunhão. 

 

 

 

 

novos prazeres na cidade

Sassão, 11.10.20

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Lisboa. Tejo ao fundo. 
Eu e o meu livro, os únicos a gozar aqui esta manhã de Outono.

 

Nestes tempos, os prazeres que nos ajudavam a seguir foram substituídos por outros, também antes inimagináveis mas igualmente preciosos. 
 
E por isso aqui estou eu.
A Torre de Belém à esquerda, o Forte do Bom Sucesso no lado oposto. 
Silêncio, ar sereno e uma leitura que se prolongou sem percalços.
 
São os novos prazeres que nos oferecem as cidades.
E eu vou aproveitar Lisboa!
 

 

louca por sextas-feiras!

Sassão, 09.10.20

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É sexta-feira!
O meu dia preferido. 
Sexta-feira é o melhor dia da semana. 
Não porque posso dormir, pôr o trabalho em dia, arrumar o roupeiro, cozinhar coisas estranhas e demoradas, ler um livro de fio a pavio, ver um filme ou ir fotografar...  
 
É o melhor dia porque acredito que tudo isto pode acontecer nos dois dias que se seguem.
É o melhor dia pelas possibilidades, muito melhores que as realidades.
Porque sonhar é bom e fazer planos ainda é melhor.
 
Domingo ao cair da noite, muito pouco ou nada disto terá acontecido, mas que importa... para a semana há mais!
 

desejo - desafio misterioso

Sassão, 08.10.20

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No "desafio misterioso" da Abelha, neste fim de dia lanço mão de um livro de cabeceira - "Ambas as mãos sobre o corpo", da Maria Teresa Horta - e sete palavras fazem nascer um arremedo de poema... foram elas: corpo, pouco, mover, lábios, salgado, penumbra, quarto.

 

Abríamos as janelas aos vizinhos, 
os corpos à boca um do outro.
O destino às hipóteses do mundo, 
a noite ao dia seguinte, e era pouco. 
 
Mover os lábios é um ritual
no teu corpo já salgado de suor.
Tu, na penumbra deste quarto 
levas-me ao melhor do meu pior.

 

 

não suporto quartas-feiras

Sassão, 06.10.20

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Hoje apetece-me dizer mal de alguma coisa. 
Escolhi as quartas-feiras. 
É verdade, não gosto das quartas-feiras.
 
Estão a meio da semana, já estou cansada e quando acordo a uma quarta-feira ainda tenho três dias de trabalho... e numa semana de chuva e frio, é como quem me dá pescada cozida ao almoço.
 
Quarta-feira é aquele dia diazinho das reuniões de trabalho estéreis, em que lá se vão os planos para conseguir pôr as coisas que importam em dia. 
 
É o dia em que abrimos o frigorífico e percebemos que não podemos esperar por sábado para voltar ao supermercado, porque comprámos iogurtes demasiado bons e os nossos filhos já os comeram todos. 
 
Esta embirração com as quartas-feiras até me estava a passar... quando me põem a sair às 6 da tarde. 
E eu posso estar a começar a trabalhar às 08.15, feliz e contente, mas odeio os dias em que às 6 da tarde é noite escura.
 
Por isso, desde que muda a hora até Março, quando os dias tiverem uma luz decente às 6 da tarde, não falem comigo à quarta-feira.
 
Tenho dito. Pim. 

foto: Diana Rosa, que fotografei no estúdio Fotomanya num Domingo. 

dia do professor

Sassão, 05.10.20

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Nao me vejo a fazer outra coisa, dá-me um prazer imenso.

Há chatices? Muitas. 
Mas já tive outras profissões, e as chatices também lá estavam. Assim como toda a amálgama de opinadores que percebiam tanto do assunto como eu de física quântica.

E o prazer é maior, por enquanto... quando não for, dou de novo uma volta de 180graus. 

Por estes dias, um jornal fala em escolas sem professores, onde os alunos se juntam para aprender e se avaliar. 
Isto lembra-me um país do norte da Europa que deixou que cada município escolhesse o método de ensino a usar nas suas escolas.

Quando essas crianças chegaram às universidades, não tinham conhecimentos suficientes para acompanhar as exigências académicas. 

Enfim, felizmente não tenho Facebook nem costumo ler "opiniões", e talvez por isso continue a sorrir todos os dias ao entrar na escola. 

Um conselho aos pais: ponham na mochila dos piquenos um creme para as mãos, que já não aguentamos tanto álcool gel. 

 

 

A Brasileira só p’ra mim...

Sassão, 02.10.20
Os prazeres que julgamos impossíveis podem até estar ao virar da esquina... assim, uma das noites do Verão que agora acabou (com maiúscula) entrei pela Brasileira... que estava vazia!

Pude olhar em volta, ver o Orpheu pousado numa mesa, SantaRita cruzando a perna, Pessoa mais tímido, Almada, Sá-Carneiro...
Não tenho a capacidade de ver fantasmas, mas naquela noite daria tudo para a ter!
Tomei o café, fiquei o mais que pude, atrasei o meu relógio cá dentro, como que à espera de algo mágico a acontecer ali, entre aqueles bancos e espelhos.
Foi precisa uma pandemia para ter a Brasileira só pra mim!...
 
 
 
 

primeiro Domingo de Outono

Sassão, 26.09.20

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Primeiro domingo de Outono.
 
Se há coisa que os senhores deste retângulo não conseguem vender ou distribuir pelos amigos, são estes dias de sol a seguir à frescura das manhãs.
 
E enquanto não conseguem expulsar de vez os portugueses menos abastados (ou sequer portugueses) da linha da costa, é de aproveitar este mar que ainda nos enche a alma e os sentidos.
 
Há que gozar a maresia no cabelo, o bater das ondas e o cheiro forte e verde das marés, antes que seja açambarcado como o verde da Quinta dos Ingleses e tantos outros verdes por aí. 
Pela meritocracia-da-treta como convém aos senhores do mundo.
 
Este é, por enquanto, um Domingo de Outono com tudo para ser maravilhoso. 
Não sei se as próximas gerações poderão dizer o mesmo dos Domingos (com maiúscula) de Outono (com maiúscula) do seu tempo. 

Bom Domingo.