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um amigo de fim de tarde

...a esta altura, o que aqui se vê são notas de enfado de uma senhora à beira de um ataque de nervos.

um amigo de fim de tarde

...a esta altura, o que aqui se vê são notas de enfado de uma senhora à beira de um ataque de nervos.

um mundo na banca de cabeceira

Sassão, 18.07.20

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Junto à cabeceira, tenho uma banca. 
Na banca, tenho um mundo. 
 
O melhor desse mundo é uma pilha de livros    que tem vida.
Ora diminui, ora se eleva até se curvar ameaçando um despencar de papel por ali abaixo. 
Ora tem lombadas de cores taciturnas, ora parece um círculo cromático, daqueles pendurados na parede da escola.
 
Há as lombadas que ficam por meses, cobrindo folhas mexidas e remexidas.
Há outras que em dois ou três dias vão ocupar o seu definitivo lugar na estante, à espera duma releitura, depois de lidas sofregamente.  
Ou são remetidas ao caixote na garagem, com lamentos por se gastar papel em tão triste obra. 
 
Sobre a banca de cabeceira, no plano mais afastado depois do candeeiro, da garrafa de água, da base para pousar o café da manhã seguinte, estão as lombadas a fixar-me.
 
Estendo a mão e escolho aquela que melhor me fará à alma nesse quase adormecer. 
Nostalgia, vitalidade, alegria, alheamento... tudo o que precisar virá dessa pilha.
Há muitos anos, chegou a fazer parte dela uma gramática de grego, para as insónias. 
 
É última coisa que vejo antes de desligar a luz, e a primeira quando a manhã entra pela janela.
Só depois me viro para o outro lado, onde está um dos poucos amores maiores que o que tenho aos livros. 
 
E hoje, como todas as noites, vou colher um e corrê-lo enquanto o dia não se encerra.
 
Boa noite...

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